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LEITURA EM PARTESParte 1 de 10

Minha cunhada ficou no nosso quarto depois do parto, e meu marido achou natural me mandar para o sofá
PARTE 1

— O quarto principal? — repeti, querendo ter certeza de que tinha entendido. — Você está falando do nosso quarto?

— Isso. Para a minha irmã é mais prático ficar lá porque tem banheiro privativo. Você pode dormir na sala ou… — Renato olhou ao redor até os olhos pararem no sofá. — Pode dormir no sofá. É só por um mês.

Patrícia, minha cunhada, estava sentada à mesa de jantar com a filha de apenas doze dias nos braços. Ela manteve a cabeça baixa e não disse nada, mas percebi um sorriso quase imperceptível no canto de sua boca.

Minha sogra, Vera, colocou a cabeça para fora da cozinha. Ainda segurava um pano de prato nas mãos.

— Sofia, sua cunhada está passando por uma fase muito difícil. Foi cesárea, o corte ainda nem cicatrizou direito. Vocês dois são jovens. Façam esse esforço por um mês e pronto.

Baixei a mala que segurava e fiquei alguns segundos olhando para os três.

Vera era professora do ensino fundamental aposentada. Passara a vida carregando ideias antigas sobre a importância dos filhos homens, embora, contraditoriamente, sempre tivesse uma proteção especial por Patrícia.

Renato era seu filho caçula, nascido quando ela já tinha mais idade. Patrícia, a irmã mais velha, era oito anos mais velha que ele.

Patrícia demorara seis anos de casamento para conseguir engravidar. Como a situação financeira da família do marido dela não era boa, minha sogra, preocupada com a filha, insistira que Renato a trouxesse para nossa casa durante o período de recuperação pós-parto.

Respirei fundo.

Depois sorri com calma.

— Tudo bem. Ela pode ficar no quarto principal.

Renato ficou visivelmente surpreso, como se esperasse uma discussão.

— Sério?

— Sério.

Assenti, virei as costas e fui até o quarto.

Abri o guarda-roupa e comecei a retirar minhas coisas.

Dobrei cada peça com cuidado antes de colocá-la dentro da mala.

Renato veio atrás de mim e ficou parado junto à porta. Duas ou três vezes pareceu querer falar, mas desistiu.

— Sofia, não fica chateada. É que minha irmã…

— Eu não estou chateada.

Interrompi antes que ele terminasse.

Minha voz estava tão tranquila que até eu estranhei.

— Você tem razão. Uma mulher que acabou de dar à luz e um bebê precisam de praticidade. O quarto principal tem banheiro privativo, então realmente é o mais conveniente.

Renato pareceu aliviado.

Deu um passo à frente e tentou pegar algumas roupas para me ajudar.

— Deixa que eu…

— Não precisa.

Desviei levemente da mão dele.

— Vai ver se sua irmã está precisando de alguma coisa. Eu consigo arrumar minhas coisas sozinha.

Ele me observou por alguns segundos, como se tentasse descobrir se eu estava realmente bem.

Por fim, saiu.

Seus passos foram se afastando pelo corredor.

Pouco depois, ouvi sua voz na sala.

— Patrícia, a Sofia concordou. Daqui a pouco você pode levar suas coisas para o quarto.

— Renato… você acha mesmo que está tudo bem?

A voz de Patrícia saiu baixa, fraca, com o cansaço natural de quem havia dado à luz há poucos dias.

— Está, sim. A Sofia é tranquila com essas coisas.

Tranquila.

Fiquei alguns segundos olhando para a última peça de roupa em minhas mãos.

Depois a coloquei dentro da mala e fechei o zíper.

Olhei para meu próprio rosto no espelho.

Eu estava um pouco pálida.

E, de repente, tive vontade de rir.

Meu nome é Sofia, tenho trinta anos e trabalho como gerente de auditoria em uma empresa internacional.

Eu era casada com Renato havia três anos e, até aquele momento, sempre considerara nosso casamento um dos mais tranquilos entre os nossos amigos da mesma idade.

Renato tinha trinta e dois anos e ocupava um cargo de gerência intermediária em uma empresa estatal. Era um homem de temperamento calmo e, no dia a dia, costumava ser atencioso comigo.

Minha sogra tinha ideias um pouco antiquadas, mas não morava conosco. Como nosso contato não era diário, sempre havíamos conseguido manter uma relação educada.

O problema começara quando Patrícia veio passar o período pós-parto em nossa casa.

Ninguém havia conversado comigo antes.

Renato simplesmente me avisara.

Não perguntara o que eu achava.

Não perguntara se seria um bom momento.

Apenas dissera:

— Só estou te avisando.

Naquela ocasião, eu engoli a insatisfação.

Depois que Patrícia chegou, reclamou que o quarto de hóspedes não recebia luz suficiente.

Renato imediatamente pediu que eu esvaziasse meu escritório para que ela pudesse guardar suas coisas.

Eu também deixei passar.

E agora…

Até nosso quarto eu precisava entregar.

Empurrei a mala para fora.

Ao atravessar a sala de jantar, encontrei Renato ajudando Patrícia a caminhar lentamente em direção ao quarto principal.

Vera segurava o outro braço da filha.

— Devagar — repetia. — Cuidado para não forçar o corte.

Os três avançavam juntos.

Pareciam uma família perfeitamente harmoniosa.

Continuei andando.

Deixei a mala perto da porta do quarto de hóspedes e fui até o sofá da sala.

Era o mesmo sofá que Renato e eu havíamos escolhido juntos no aniversário de casamento do ano anterior.

Tinha três lugares, tecido bege-claro e almofadas macias.

Coloquei um travesseiro sobre um dos braços e me deitei para testar.

O comprimento não era tão ruim.

Eu não era muito alta. Se me ajeitasse direito, conseguia manter as pernas quase esticadas.

— Sofia, o que você está fazendo?

Renato acabava de sair do quarto principal.

Quando me viu deitada no sofá, franziu a testa.

Olhei para ele e sorri.

— Dormindo no sofá, ué.

Obrigado por acompanhar até aqui 🙌📖 Isso é só o começo… A próxima parte já está nos

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