
Meu marido levou a amante grávida ao clube e me fez beber para devolver meu passaporte
Parte 1
No sexto ano depois de descobrir a traição do meu marido, ele entrou no clube dos oficiais com a amante jovem ao lado, sem sequer tentar esconder o que estava fazendo.
Rafael Sampaio era oficial do Exército. Naquela noite, parecia mais preocupado em divertir os colegas de farda do que em preservar o pouco de dignidade que ainda restava ao nosso casamento.
Ele indicou Marina com um movimento do queixo.
— Ensina ela a dançar.
Depois apontou para as garrafas sobre a mesa.
— E ensina também como beber com as pessoas sem fazer feio. Como conversar. Como agradar. Você sabe fazer isso melhor do que ninguém.
Os homens sentados ao redor acompanharam a cena com interesse.
Alguns riram.
Outros começaram a apostar, diante de mim, quanto tempo eu demoraria para perder a cabeça.
— Cinco minutos.
— Eu dou dez.
— Ela vai jogar uma taça na cara dele antes da meia-noite.
Eu ouvi tudo.
Não respondi.
As garrafas foram esvaziadas uma após outra, e meu rosto continuou sem mudar.
Um dos oficiais finalmente soltou uma risada.
— Rafael, fala sério. Ela aguentou até agora? A resistência da sua mulher é assustadora.
Rafael estava recostado no sofá.
Girou devagar o copo entre os dedos, pousou-o sobre a mesa e abriu um sorriso frio, quase preguiçoso.
— Helena já trabalhou numa casa noturna numa cidade de fronteira. Que tipo de cena vocês acham que ela nunca viu?
As risadas diminuíram um pouco.
Ele continuou como se estivesse contando alguma história sem importância.
— Se eu não tivesse tirado ela de lá naquela época, nem sei onde estaria hoje.
Meu peito apertou, mas permaneci imóvel.
Rafael tinha repetido aquela história tantas vezes durante nosso casamento que parecia acreditar que me trazer embora de Foz do Iguaçu lhe dera algum direito permanente sobre mim.
Ele inclinou a cabeça na minha direção.
— O passado dela nunca foi exatamente bonito. Então, se hoje eu encontrei outra pessoa, não chega a ser injusto, chega?
Pegou uma pasta fina que estava ao lado dele e a lançou sobre a mesa.
As folhas deslizaram pela madeira e pararam diante dos meus dedos.
Era um acordo de divórcio.
Rafael falou com a mesma tranquilidade com que alguém pediria a conta de um restaurante.
— Assina.
Olhei para ele.
— Marina está grávida — acrescentou. — Ultimamente anda muito sensível. Ela não aceita continuar sendo tratada como a outra.
Marina permaneceu sentada ao lado dele, segurando a própria taça.
Rafael cruzou uma perna sobre a outra.
— Você sai sem nada por enquanto. Só para ela ficar tranquila.
Fez uma pequena pausa.
— Depois que ela parar com essa implicância, eu deixo você voltar.
Olhei para o papel.
Não perguntei desde quando ele tinha decidido aquilo.
Não perguntei por que imaginava que eu aceitaria ser divorciada temporariamente para acomodar a amante grávida.
Também não perguntei o que, depois de tudo, fazia Rafael acreditar que eu ainda desejaria voltar para ele.
Apenas estendi a mão e peguei a caneta.
Assinei.
Sem hesitação.
O movimento foi tão rápido que Rafael ficou imóvel por um instante.
Terminei de escrever meu nome, coloquei a caneta na mesa e empurrei o acordo de volta.
Só então ergui os olhos para o homem que um dia eu tinha amado.
— Não precisa.
O olhar dele endureceu.
Eu continuei:
— Desejo felicidade aos dois.
Respirei devagar.
— E que o bebê nasça com saúde.
Empurrei as folhas mais uma vez até que tocassem a mão dele.
Os dedos de Rafael, que batiam ritmados na lateral da mesa, pararam.
Ele me encarou.
A expressão despreocupada desapareceu.
— Não vai levar nada da casa.
Assenti.
— Certo.
Mesmo que ele não tivesse dito aquilo, eu não pretendia tirar nem um alfinete do imóvel funcional onde havíamos vivido.
Nada ali valia o preço de continuar vinculada a ele.
Minha concordância, porém, pareceu irritá-lo ainda mais.
O tenente sentado ao lado soltou uma risada debochada.
— Rafael, acho que a Helena aprendeu algumas coisas com a Marina. Até essa história de fingir que não liga para fazer o homem correr atrás ela já sabe usar.
Os dedos de Rafael apertaram as folhas.
Depois relaxaram.
Ele me observou de cima a baixo.
— Marina é jovem. É normal ter seus caprichos.
Sua voz ficou mais dura.
— Mas você, nessa idade, fazendo teatrinho de indiferença? Só fica ridículo.
Antes que eu pudesse me afastar, Rafael agarrou meu queixo.
Seus dedos apertaram com força suficiente para fazer meu maxilar doer.
— Helena Valença, você ainda acha que é aquela menina mimada da família Valença?
Aproximei os olhos dos dele.
— Sem mim, você não consegue viver.
Não desviei o rosto.
— O senhor não precisa se preocupar comigo, major Sampaio.
A forma como o tratei fez uma veia saltar na têmpora dele.
— Eu tenho meus próprios planos.
— Planos?
Rafael riu sem humor.
— Voltar para uma casa noturna? Servir bebida para homem até de madrugada? É esse o grande plano?
Seu rosto se aproximou do meu.
— Seis anos se passaram e você não mudou nada.
Ele soltou meu queixo de repente.
Meu rosto virou com o impulso.
Não respondi.
Durante seis anos, eu tinha ouvido insultos parecidos tantas vezes que eles já não conseguiam me surpreender.
Passei a ponta da língua pela parte interna da boca, respirei e voltei a encará-lo.
— O acordo está assinado.
Rafael estreitou os olhos.
— Então devolva meu passaporte.
A tranquilidade da minha voz pareceu ofendê-lo mais do que qualquer grito teria feito.
Seu peito subiu e desceu com força.
— Quer seu passaporte?
— Quero.
Ele se recostou novamente.
— Fácil.
Rafael apontou para a mesa cheia de copos.
— Agora é a sua vez de servir essa mesa.
Alguns homens trocaram olhares.
Ele continuou:
— Para cada copo que beber, você tira uma peça que estiver usando por fora.
Seus olhos pararam nos meus.
— Até eu ficar satisfeito.
A sala explodiu em assobios.
— Caramba, Rafael.
— Vai pegar pesado assim?
— Ela saiu daquele lugar há seis anos. Quero ver se ainda aguenta como antes.
Os olhares caíram sobre mim.
Curiosidade.
Deboche.
Expectativa.
Gente esperando para descobrir em qual momento eu quebraria.
Inspirei devagar e engoli o gosto amargo que subia pela minha garganta.
— Está bem.
Peguei a primeira taça.
— Eu bebo.
Vinho.
Uísque.
Vodca.
Uma dose depois da outra.
Eu levava o copo aos lábios, inclinava a cabeça e engolia até o fim.
O xale…
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