
Por três anos, meu marido dizia que não conseguia — até eu encontrá-lo na cama da minha melhor amiga, que era sua cunhada
PARTE 1
Eu fui atrás do meu marido para flagrá-lo me traindo e acabei encontrando-o justamente na cama da minha melhor amiga.
Durante três anos de casamento, Caio Tavares dizia sofrer de um problema íntimo. Segundo ele, sua saúde não permitia que tivéssemos uma vida de casal normal.
Mas ali estava ele, cheio de disposição, agarrado a Vanessa Rocha como se nunca tivesse tido problema nenhum.
Ergui o celular e fotografei tudo de vários ângulos, sem deixar espaço para dúvidas.
Depois, enviei as imagens diretamente para Eduardo Tavares, marido de Vanessa e irmão mais velho de Caio.
Junto das fotos, escrevi:
“Parece que sua esposa é uma médica extraordinária. Até o problema do meu marido ela conseguiu curar.”
Então me apoiei no batente da porta e falei com a maior calma que consegui reunir:
— Amor, sua saúde melhorou rápido, não foi?
As duas pessoas na cama congelaram.
Caio me encarou como se tivesse acabado de ver um fantasma.
— Lívia… eu…
Vanessa reagiu mais rápido. Puxou o lençol e se enrolou nele às pressas.
— Lívia… a gente…
— Não precisa explicar agora.
Peguei novamente o celular.
— Primeiro deixa eu tirar uma foto. Afinal, depois de três anos de casamento, é a primeira vez que vejo meu marido com tanta energia.
Caio finalmente despertou do choque e avançou na minha direção para tentar arrancar o celular da minha mão.
No movimento, o lençol caiu.
Quase fiquei cega.
— Calma, amor. Pra que tanta pressa? Não é como se eu nunca tivesse visto.
Dei um passo para trás e pensei melhor.
— Ah, verdade. Acho que nunca vi mesmo. Afinal, durante esses três anos você se preservou direitinho… só não era por mim.
O rosto de Vanessa ficou vermelho.
— Lívia, me escuta. Não é o que você está pensando.
Sorri para ela.
— O que exatamente você quer explicar? Que se sacrificou para tratar o problema do meu marido? Nesse caso, eu deveria até agradecer.
Caio apertou os dentes.
Olhei para os dois.
— Continuem. Eu vou ligar para o Eduardo e convidá-lo para assistir ao espetáculo da própria esposa.
O rosto de Vanessa perdeu a cor imediatamente.
Ela não era apenas minha melhor amiga desde muitos anos.
Também era esposa de Eduardo, irmão mais velho de Caio.
Ou seja, além de minha melhor amiga, ela era minha cunhada.
Uma bela confusão de relações, sem dúvida.
— Você não teria coragem! — Caio gritou.
Ergui uma sobrancelha.
— Você teve coragem de fazer. Por que eu não teria coragem de contar?
Nesse instante, Vanessa saiu da cama e se atirou aos meus pés.
— Lívia, por favor. Eu imploro. Não conta para o Eduardo. Eu sei que errei.
Olhei para aquela mulher com quem eu havia crescido, agora malvestida, abraçando minhas pernas e implorando para que eu escondesse a traição.
De repente, tudo pareceu ridículo.
— Vanessa, levanta primeiro.
Abaixei-me e toquei de leve no ombro dela.
— O chão está frio.
Ela ergueu o rosto, e por um instante surgiu esperança em seus olhos.
Então completei:
— Olha só como você está. Meu marido vai ficar preocupado.
A esperança desapareceu.
Virei-me para sair, mas Caio agarrou meu braço.
— Aonde você pensa que vai? Quer destruir esta família?
Fechei a mão com força.
Ainda assim, sorri.
Era impressionante ouvir aquilo vindo justamente dele.
— Vou ao médico descobrir se o problema sou eu. Porque, comigo, meu marido passou três anos dizendo que não conseguia. Com outra mulher, pelo visto, está perfeitamente saudável.
O rosto de Caio ficou vermelho.
— Lívia Martins, para com esse sarcasmo!
— Não se exalte.
Levantei o celular.
— Quer ver as fotos que tirei? Ficaram ótimas. Enquadramento, ângulo, iluminação… tudo perfeito. Se eu postar, talvez até faça sucesso.
Vanessa avançou para pegar o aparelho, mas desviei antes que conseguisse.
— Ah, e será que precisa de legenda? — perguntei. — Que tal “Momento romântico entre meu marido e minha melhor amiga”?
— Você…!
Vanessa tremia de raiva.
Nesse momento, meu celular tocou.
Era Eduardo.
Atendi e coloquei no viva-voz.
— Alô, Eduardo.
A voz grave dele surgiu do outro lado.
— Estou aqui embaixo. Qual é o quarto?
As pupilas de Vanessa se contraíram.
Seu corpo inteiro começou a tremer.
Pouco depois, ouvi passos no corredor.
Sentei-me com calma em uma cadeira e deixei o celular preparado para gravar.
A porta se abriu.
Eduardo entrou com o rosto completamente fechado.
Seus olhos percorreram o quarto.
Primeiro, Vanessa, ainda tentando arrumar a roupa.
Depois, Caio, claramente perdido.
— Mano… — Caio começou, com a voz trêmula.
Eduardo não respondeu.
Olhou para mim.
— Está gravando?
Fiquei surpresa por um segundo.
Depois assenti.
— Estou.
Vanessa perdeu as forças e caiu de joelhos.
As lágrimas começaram a escorrer.
— Amor, não é o que você está vendo…
— Cala a boca.
Foram apenas três palavras.
Mas Vanessa imediatamente parou.
Eu permaneci sentada observando tudo e, por algum motivo, aquela situação parecia irreal.
Eu era a pessoa traída.
Em teoria, deveria estar destruída.
No entanto, naquele instante, parecia apenas uma espectadora assistindo a uma cena absurda.
Eduardo olhou para os dois.
— Vistam-se direito.
Caio e Vanessa começaram a colocar as roupas às pressas.
A cena parecia ter saído de alguma novela ruim.
Quando os dois finalmente estavam vestidos, Eduardo segurou Caio pela roupa e acertou dois socos fortes no rosto do próprio irmão.
Depois veio uma joelhada.
Caio caiu no chão, encolhido, com o rosto pálido.
Durante três anos ele tinha fingido ter problemas naquela parte do corpo.
Se Eduardo continuasse daquele jeito, ainda corria o risco de transformar a mentira em realidade.
Eduardo sempre parecera um homem controlado e educado.
Eu nunca o tinha visto daquela maneira.
Quando Caio permaneceu no chão, Eduardo finalmente perguntou:
— Há quanto tempo?
Ninguém respondeu.
Ele elevou a voz.
— Eu perguntei há quanto tempo!
Até eu me assustei.
Vanessa começou a chorar ainda mais.
— Três… três anos.
Três anos.
Exatamente o tempo do meu casamento com Caio.
Aquilo significava que a mentira havia começado praticamente junto com a nossa vida de casados.
As desculpas.
As consultas que ele dizia precisar fazer.
As vezes em que evitava qualquer aproximação.
O suposto problema de saúde.
Tudo tinha servido para esconder aquilo.
Soltei uma risada curta, sem humor.
— Então vocês são mesmo um grande amor? Começaram antes mesmo de a gente se casar?
Caio baixou a cabeça.
Não respondeu.
— Levanta a cabeça! — Eduardo ordenou. — Olha para nós e fala!
Caio ergueu o rosto lentamente.
Havia medo em seus olhos.
— Mano, eu…
— Não me chama de irmão.
A raiva na voz de Eduardo era quase palpável.
— Eu não tenho um irmão capaz de fazer uma coisa dessas comigo.
Caio empalideceu.
Vanessa se ajoelhou outra vez.
— Eduardo, me perdoa. Eu errei. Eu sei que errei.
Olhei para ela.
— Você sabe que errou ou está com medo das consequências?
Porque, se eu não tivesse descoberto, quem sabia por quanto tempo Eduardo e eu continuaríamos sendo enganados?
Levantei-me e fui até ele.
— Eu já gravei e fotografei o suficiente. Vamos embora. Este quarto está me dando nojo.
Eduardo assentiu.
Virou-se para sair comigo.
— Esperem! — Caio gritou.
Ele se levantou de qualquer jeito e acabou se ajoelhando no chão.
Olhei para trás e sorri.
— Ficar para quê? Para assistir você e sua cunhada começarem outra rodada?
Ele ficou sem resposta.
— Você não queria ficar com ela? Pois pronto. Agora ninguém está impedindo.
Vanessa entrou em pânico.
— Não! Eduardo, você não pode se divorciar de mim!
Eduardo sempre tivera uma situação financeira melhor do que Caio e nunca deixara Vanessa passar necessidade.
Vendo o desespero dela naquele instante, não pude evitar um pensamento amargo.
Talvez, quando a fantasia acabava e as consequências apareciam, o amor por Caio já não parecesse tão importante quanto tudo o que ela corria o risco de perder.
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